O espetáculo “Era Medeia” faz circulação pelos Teatros da Firjan SESI na Baixada e Norte Fluminense.

Publicado em 10/03/2020 Editoria: Cultura
Macaé, dia 27/03

Macaé, dia 27/03

Com supervisão de Cesar Augusto e texto e direção de Eduardo Hoffmann, peça faz uma reflexão sobre machismo, abuso de poder e exposição da vida privada 

Você sempre age de acordo com seus princípios éticos? Ou será que muitas vezes suas ações e omportamentos contradizem o seu discurso? A partir dessa reflexão se desenrola a trama do espetáculo Era Medeia, que, depois de duas bem sucedidas temporadas com grande repercussão na cidade do Rio de Janeiro, realiza um circuito de apresentações pelos Teatros da Firjan SESI, em quatro cidades fluminenses, a partir do dia 20/03, começando por Duque de Caxias, dia 26/03 em Macaé, dia 27/03 em Campos dos Goytacazes e dia 28/03 em Itaperuna.

Com supervisão de Cesar Augusto, texto e direção de Eduardo Hoffmann e argumento de Marina Monteiro, a peça se passa durante os ensaios de uma adaptação da tragédia “Medeia”, de Eurípedes, pano de fundo para uma discussão que também passa pelo machismo, o abuso de poder, exposição da vida privada e a importância do processo na criação artística.

Em cena, estão os atores Eduardo Hoffmann e Isabelle Nassar, que vivem Pedro Lobo, um diretor excêntrico, e Verônica Albuquerque, uma atriz insegura. O público é convidado a assistir a um ensaio aberto do espetáculo no qual estão trabalhando juntos. Aos poucos, o passado deles vem à tona, e os espectadores passam a ser testemunhas de um acerto de contas íntimo entre os personagens. 

“A escolha de Medeia como o texto que os personagens ensaiam tem um propósito: é um ícone da representação de uma mulher que rompe com os padrões sociais estabelecidos. Apesar de tomar atitudes cruéis, ela é uma personagem que não fica à mercê das decisões e escolhas dos homens à sua volta”, explica o ator e diretor Eduardo Hoffmann. “E aí é que está a contradição. O diretor está montando Medeia justamente para enaltecer a força dessa mulher que rompe com os padrões repressivos e, no entanto, o modo como ele lida com a atriz (que já foi mulher dele) é extremamente repressor e abusivo”, acrescenta.

A partir da exposição da vida íntima do ex-casal, “Era Medeia” também faz uma reflexão sobre por que o público de hoje parece se interessar mais pelos bastidores da criação do que pela própria criação. “O fato de estarmos vivendo uma realidade social e política extremamente espetacularizada contribui para que o caráter ficcional da arte esteja cada vez mais com sua potência diminuída. E já faz bastante tempo que os reality shows
tornaram as pessoas personagens mais interessantes aos olhos do público do que os personagens criados nas obras de ficção. É uma extrema necessidade de ser arrebatado pelo REAL, até porque o cotidiano atual está extremamente teatralizado”, analisa Hoffmann.

Em agosto de 2018, o espetáculo fez um ensaio aberto no Midrash Centro Cultural, quando foi apresentada metade da peça. Em setembro do mesmo ano, uma versão pocket do texto participou da programação do festival Niterói em Cena. Os momentos finais da peça foram reescritos com base nas experiências das duas apresentações. A peça estreou dia 11 de julho de 2019 no Sesc Copacabana, onde ficou em cartaz por três
semanas. Depois, em outubro, cumpriu mais uma bela temporada de 3 semanas no Teatro Glaucio Gill.

Sinopse:
A relação pessoal entre um diretor e uma atriz é exposta durante o ensaio aberto de uma adaptação da tragédia Medeia. 

Eduardo Hoffmann (autor, diretor e ator) 

Eduardo Hoffmann é ator e professor de teatro pelo município do RJ. Formado em Artes Cênicas pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), na cidade de
Florianópolis, em 2006. É protagonista do longa "Muamba" e do curta metragem “Rio da Madre”, com direção de Fábio Bruggemann, lançado em 2016. Escreveu duas peças  de teatro: o monólogo “Quarentena”, no qual também atua (que percorreu o interior de Santa Catarina durante o ano de 2008, e reestreou em 2013, fazendo três temporadas no Rio de Janeiro) e “Era Medeia”. Ex-integrante dos grupos de teatro Do Buraco Sai O quê? e Fulanos de Bota, esteve no elenco dos espetáculos “A Prosa Delas Não é de Panelas” e “Nós da Xêpa” (pelo primeiro) e “Ecos Temporâneos” e “Instantes Urbanos” (pelo segundo). Produziu o evento “Acasos na Casa – processos artísticos independentes”, no qual participou como ator nos espetáculos “Sobre Água e Outros Relatos”, com direção de Norberto Presta, e “Quarentena”, com direção de André Francisco. Participou como ator dos espetáculos: “Solano e Rios”, adaptação do texto “Nhac - Sobre Piolhos e Atores” de Jose Sanchis Sinisterra, dirigido por Alexandre Mello (20112012); “Sofia Embaixo da Cama”, da Trupe do Experimento (2010); "A Festa de Aniversário" de Harold Pinter, com direção de Amanda Giugni (20092010); e “O Velório da Tia Aurora”, do grupo Teatro em Trâmite (2007/2008).

Isabelle Nassar (atriz)
A atriz mineira é formanda pela Martins Pena, Bacharel em Artes Dramáticas pela C.A.L e fez a 7ª Oficina de Atores Cesgranrio. No ano passado, esteve no elenco de quatro peças, entre elas Studio Cabaret Voltaire, no Tempo Festival, com direção de Jefferson Miranda, na qual desenvolveu a performance “Manifesto de quem não consegue se Manifestar’, apresentada também em outros espaços, como a Ocupação Ovarias. Atuou
em setembro de 2019 em “Grande Sertão Veredas”, direção de Bia Lessa, no Sesc Copacabana.

Ficha técnica:
Texto e direção: Eduardo Hoffmann
Supervisão artística: Cesar Augusto
Argumento: Marina Monteiro
Elenco: Isabelle Nassar e Eduardo Hoffmann
Produção: Guilherme Nanni
Iluminação: Renato Machado
Figurino: Tiago Ribeiro
Costura: Ateliê das Meninas (Maria e Zezé)
Concepção cenográfica: Cesar Augusto e Eduardo Hoffmann
Produção de adereços: Patrícia Ramos
Trilha sonora: João Mello e Gabriel Reis
Arte gráfica e identidade visual: Márcio de Andrade
Produção de vídeos: Celavi Filmes (Eduardo Paganini e Jamal Dizete)
Assessoria de imprensa: Rachel Almeida (Racca Comunicação)
Fotografia: Renato Mangolin
Serviço
Espetáculo “Era Medeia”
Circulação Teatros Firjan Sesi: 20 a 28 de março
Sesi Caxias: 20/03 às 20h
Sesi Macaé: 26/03 às 20h
Sesi Campos dos Goytacazes: 27/03 às 20h
Sesi Itaperuna: 28/03 às 19h
Duração: 1h
Classificação Etária: 14 anos.
PRODUÇÃO
GUILHERME NANNI
(21) 99724-1381 / (21) 99185-0286
e-mail: eramedeiaproducao@gmail.com

› FONTE: Ascom